quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A Mulher Adúltera de João 8 é a mesma Maria Madalena? - Texto




Podemos identificar a mulher adúltera de João 8: 1-11 como sendo Maria Madalena?


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[1]A maioria dos manuscritos antigos do Evangelho de João não contém o texto de João 7:53 a 8:11, onde aparece o relato sobre "uma mulher surpreendida em adultério" (8:3). Mas existem evidências suficientes para crermos que esse relato descreve um incidente genuíno na vida de Jesus, que enfatiza a mesma graça salvadora manifesta no diálogo com a mulher samaritana (João 4:1-42), na parábola do filho pródigo (Luc. 15:11-32) e na história de Maria Madalena (João 12:1-8). Profetas posteriores consideram o relato de João 8: 1-11 uma experiência real[2].

A tentativa de identificar a mulher surpreendida em adultério como sendo a "Suzana" mencionada em Lucas 8:3 não passa de mera conjectura, pois nem o relato bíblico e nem os comentários que mais se prezam mencionam o nome dessa mulher.

Estudiosos entendem que a mulher era casada e que fora induzida "ao pecado" pelos seus próprios acusadores com a intenção de "armar uma cilada para Jesus"[3].

Diz uma comentarista bíblica que o encontro daquela mulher com o Salvador marcou "o início de uma nova vida, vida de pureza e paz, devotada ao serviço de Deus", transformando-a em um dos "mais firmes seguidores" de Jesus e "um dos mais resolutos amigos de Jesus" que esteve com Ele mesmo "ao pé da cruz" por ocasião da crucifixão[4].

Já Maria Madalena é identificada nos Evangelhos como a pessoa de quem Jesus expulsou "sete demônios" (Mar. 16:9; Luc. 8:2), e que presenciou a crucifixão e o sepultamento de Cristo (Mal. 27:56, 61; João 19:25). Foi a ela que Cristo apareceu primeiro depois de ressuscitado, tornando-se a primeira porta-voz da ressurreição (Mal. 28: 1-10; Mar. 16:1-11; Luc. 24:1-11; João 20:1-18). Comentaristas bíblicos questionam, porém, se a unção de Jesus mencionada em Lucas 7:36-50 seria a mesma registrada em João 12:1-8 (ver também Mal. 26:6-13; Mar. 14:3-9), realizada por Maria Madalena.

Todavia, em harmonia com uma antiga tradição cristã, confirmamos que foi realmente Maria Madalena que ungiu com perfume a Jesus no banquete na casa de Simão. Maria Madalena era a irmã de Marta e Lázaro, e ela foi induzida "ao pecado" pelo próprio Simão. Além disso, ela "foi a última a deixar o sepulcro do Salvador, e a primeira a ser por Ele saudada na manhã da ressurreição".

A tentativa de identificar Maria Madalena como sendo a mulher surpreendida em adultério (João 8: 1-11) é, tanto passível de contestação quanto passível de aceitação. De contestação porque, em primeiro lugar, como já mencionado, a Bíblia jamais chama esta mulher de Maria Madalena. Os comentários sobre o Evangelho de João consultados na pesquisa para este artigo não fazem tal associação. A existência de uma tradição cristã antiga que corroborasse essa associação parece descartada por Carmen Bernabé Ubieta em sua obra María Magdalena: Tradiciones en el Cristianismo Primitivo (EstelIa, Espanha: Verbo Divino, 1994), onde nem ao menos aparece qualquer alusão ao texto de João 8: 1-11.

Por outro lado, de aceitação, pois John Fisher, um dos oponentes de Lutero, publicou em 1508 uma exposição homilética na qual ele identificava Maria Madalena como sendo a mulher surpreendida em adultério[5]. Mais recentemente, Morris Venden popularizou essa interpretação através do seu livro, no capítulo 2[6]. Mas a abordagem de Venden é igualmente homilética (somente de aplicação para a vida pessoal; somente tirando lições, com numa parábola), sem quaisquer tentativas de comprovação para suas idéias.

Poderíamos também buscar endosso para a referida associação onde vemos a mulher surpreendida em adultério como uma das mais dedicadas seguidoras de Cristo e como uma das mulheres que permaneceu ao pé da cruz por ocasião da crucifixão. Mas não podemos nos esquecer que Maria Madalena não foi a única mulher com essas características (ver Luc. 23:44-56).

Seja como for, qualquer tentativa de identificação entre a mulher surpreendida em adultério com Maria Madalena não passa de mera inferência não sugerida explicitamente pelo texto bíblico. Portanto, essa teoria deveria ser considerada uma opinião pessoal de quem a advoga, sem o apoio dos comentaristas bíblicos.

Um abraço do seu amigo e irmão em Cristo,
Twitter: @Valdeci_Junior

Pergunta Que Será Respondida Amanhã:
Qual o significado da palavra desejo em Gênesis 3:16

[1]Adaptado de Alberto Timm, CPB, RA, Fevereiro de 2004.
[2]Review and Herald - de 25 de novembro de 1902 e 6 de setembro de 1906; Signs of the Times - 23 de outubro de 1879.
[3]Review and Herald, 25 de novembro de 1902.
[4]Signs of the Times, 23 de outubro de 1879.
[5]Jaroslav Pelican, The Christian Tradition, voI. 4, pág. 131.
[6]Morris Venden, “Como Jesus Tratava as Pessoas” (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1989).

9 comentários:

  1. Se essa mulher fosse Maria Madalena não seria conhecida como mulher adúltera, pois para isso ela precisaria ser casada e não há um texto sequer que diga que a Madalena fosse casada... Por outro lado esse texto deixa uma outra brecha porque ninguém adultera sozinho e cadê a outra parte envolvida?

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    1. Concordo com o Ronaldo Russo.
      E mais.
      Se Maria Madalena fosse casada seria chamada de Maria de fulado e não da região de origem. (Maria de Cleófas, por exemplo). Ela, portanto, era solteira.

      Quanto a pecadora pública tratava-se de Maria irmã de Marta e de Lázaro. João 12:1-8

      Quanto a adúltera citada em João 8:1-11, ela era casada e o nome do marido foi preservado. Depois de advertida ela foi embora em obediência a Jesus: "Vai, e de agora em diante não peques mais".

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  2. sugiro que leem esse texto............ se não me falhe a memoria ele traz um identificação dessas personagens. Ainda sobre a mulher adultera comenta que por se tratar de uma cilada para pegar a Jesus ela era uma cumprisse na trama e portanto não era adultera de fato...... pois se assim o fosse tinham matado ela antes... fica a hipótese de ser participante da trama.... a bem da verdade.. fica a pergunta do nosso amigo ; onde está a outra parte? http://www.faje.edu.br/periodicos/index.php/perspectiva/article/viewFile/1224/1625

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  3. Acima de tudo, o mais importante não é o que não está escrito na Bíblia e sim o que está escrito nela. Maria Madalena não é a irmã de Marta e Lázaro, isso é mentira, a Bíblia não diz isso. Maria Madalena era de outra região, Maria Madalena é assim chamada por ser de Magdala, aldeia de pescadores que ficava na costa oeste do mar da Galiléia, próxima a cidade de Tiberíades. Maria, irmã de Marta e Lázaro, assim como seus irmãos era de Betânia, outra região totalmente diferente.

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  4. E outra, com certeza Maria Madalena não era a mulher adúltera do evangelho de João. Mas o que importa é não gastar tempo discutindo essas teorias e sim pregar o evangelho.

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  5. Apesar de a bíblia não relatar a origem da mulher citada nesta referencia, seria bom se tivéssemos argumentos maiores para esclarecer aos leigos de quem é a pessoa que trata nesse episódio.

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    1. Paz em Cristo Jesus!
      Amei o comentário de cada um de vocês mais tenho minhas opiniões e dúvidas!
      O meu nome é Marcis eu sou líder de um ministério, enfim .
      Olha que interessante bíblia no evangelho de João 11:2 fala que é a mesma pessoa que ungiu com balsamo o Senhor na casa do Simão o Leproso uma parte esclarecida, no evangelho de Lucas 8:2 fala da Maria, Chamada Madalena da qual sairam sete demônios e fala em Lucas 8:3 que prestavam assistência com os seus bens, e a mesma esteve no pé da cruz no evangelho Mateus 27:56, Marcos 15:40, João 19:25 e está mesma mulher Maria Madalena esteve assentada junto ao sepulcro quando o corpo de Jesus foi sepultado que está no Evangelho Mateus 27:61 e foi a mesma Maria Madalena na manhã do primeiro dia ungir o corpo de Jesus no Evangelho de João 20:1 e está Maria Madalena foi a primeira a ver Jesus ressuscitado no Evangelho de Marcos16:9 e João20: 11ao17 e foi a mesma Maria Madalena que avisou os discípulos do Senhor ....... e a mulher adúltera não tem nada a ver com Maria irmã de Lázaro e nem com a Maria Madalena, essa mulher adúltera ela era uma isca para por Jesus em prova por isso que ela não tem nome e nem marido mais foi um exemplo muito importante para nós. Qual foi ? Na julgar seu próximo ela foi só uma parábola e não uma discussão de teologia ou homilética e exegese era apenas uma interpretação Espiritual! Obrigado que a paz esteja com todos vocês Pr Marcos

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  6. Parabens Pr. Marcos obrigado por ter tirando minha duvida que Deus continue lhe dando sabedoria .

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  7. Quando lemos o texto imediatamente pensamos que se trata de sexo, mas na realidade se trata de outro tipo de pecado, vejamos o texto da Torá no qual está escrito que tipo de transgressão ela cometeu:

    “Quando no meio de ti, em alguma das tuas cidades que te dá o Senhor, teu Deus, se achar algum homem ou mulher que proceda mal aos olhos do Senhor, teu Deus, transgredindo a sua aliança, que vá, e sirva a outros deuses, e os adore, ou ao sol, ou à lua, ou a todo o exército do céu, o que eu não ordenei; e te seja denunciado, e o ouvires; então, indagarás bem; e eis que, sendo verdade e certo que se fez tal abominação em Israel, então, levarás o homem ou a mulher que fez este malefício às tuas portas e os apedrejarás, até que morram”.(Dt 17,2-5)

    Para compreendermos melhor este texto temos que saber que a Escritura, para falar do relacionamento entre Deus e Israel, usa a linguagem do casamento. Deus é o esposo e Israel é a esposa. No momento em que a comunidade é fiel, Israel é tratada como a virgem de Israel. Há circunstâncias em que ela é infiel e aí ela é chamada de prostituta, ou adultera; e há também circunstâncias em que ela faz o papel de viúva, como se o esposo estivesse morto, então Israel é apresentado na figura da viúva. Estes quatro aspectos: virgindade, prostituição, adultério e viuvez caracterizam na Escritura, e no Novo Testamento, o povo de Israel – Israel é a mulher fiel, ou infiel. Veja-se Ez. 16, Os. 1.

    Percebemos então que o pecado da mulheré o de infidelidade à aliança, não se trata de uma transgressão na área do sexo. Ela foi infiel não a um homem, mas a Deus. A Aliança, o casamento, como nas Bodas de Kaná, foi violada.

    Houve uma transgressão da Aliança de algum modo e neste caso, segundo a lei, ela deve ser apedrejada.

    Os escribas e fariseus tinham razão, a “Lei ordena apedrejar tais mulheres”. “Mas Jesus, inclinando-se, escrevia na terra com o dedo.” Este gesto de Jesus é muito significativo e aparece apenas uma vez na Escritura.

    “Quando Ele terminou de falar com Moisés no monte Sinai, entregou-lhe as duas tábuas do Testemunho, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus.”(Ex 31,18).

    O gesto de Jesus, ‘Inclinando-se, ele escrevia sobre a terra’, evoca o Dom da Torá no Sinai (Sl. 18,10), e significa, neste contexto, que o autor do texto está fazendo Jesus estar de acordo com a injunção da Torá e a afirmação dos Fariseus. Vamos, então, apedrejar a mulher. Mas, há um problema: para fazermos isso é necessário que sejamos puros, sem pecado – lembremo-nos que a Mulher representa o povo, isto é, Fariseus e escribas que estão presentes na historinha – então, como nenhum dos presentes, exceto Jesus é puro, evidentemente, o autor faz com que todos se retirem de cena, exceto Jesus – por isso é que o gesto acima é novamente repetido, mas com novo sentido: agora sua função é falar de uma nova atitude, uma nova revelação (?), ou um aspecto ainda não percebido na revelação do Sinai – isto é, o perdão.

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