terça-feira, 3 de julho de 2012

Plantar Igrejas - David J. Hesselgrave

Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações [todos os tipos de gente], batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.
(Mateus 28:19-20)

Se queremos pregar o evangelho a todos os tipos de gente, precisamos ter em mente que se faz necessário ter muitos tipos de igrejas. E para isso, precisamos começar muitas novas comunidades de reuniões de comunhão e adoração. E como fazer isso? Plantando igrejas.

Introdução

Para abrir uma nova congregação, é preciso ter em mente um modelo efetivo de programa de trabalho. É preciso também que haja o mapeamento das fases do projeto, com suas atividades descritas. Tal planejamento serve de norteador seguro para que o trabalho do plantio da igreja aconteça com segurança. Existem muitos modelos de plantio de igreja. Mas um dos autores mais respeitados neste assunto é David. J. Hesselgrave. Professor e autor de muitos livros na área de missões, Hesselgrave (PhD) foi também o diretor da Escola de Missões Mundiais e Evangelização da Trity Evangelical Divinity School. Antes, por um longo tempo, David tinha sido missionário no Japão, organizando muitas igrejas. Depois de aposentar-se, ele foi, com sua esposa Gertrude, viver em Rockford, Illinois, EUA.

Em Plantar Igrejas, Hesselgrave propõe oferecer “um guia para missões nacionais e culturais” no sentido de operar a abertura de novas congregações, no cumprimento da Grande Comissão. Para este autor, o apóstolo Paulo, intencionalmente, tinha um plano de ação cíclico para que uma igreja ao nascer já fosse projetada para produzir o nascimento de outra.

Na primeira parte do livro, explicando sobre o cristão e a missão cristã, o autor explica que no coração da missão cristã está o ato de estabelecer novas congregações e que para isso devem existir uma missão proposta e um método definido. Daí, a necessidade do aprendizado sobre este tema, argumenta ele.

A segunda parte do livro traça o perfil do líder cristão nos contextos missional e missionário. Antes de partir para o plantio de uma nova igreja, o plantador é alguém que, além de saber liderar, sabe selecionar a área a ser alcançada, os alvos a serem conseguidos, de que recursos ele disporá para isto e que mensurações poderão ser feitas.

O Ciclo Paulino

É na terceira parte do livro que Hesselgrave começa então a descrever o que ele chama de “ciclo paulino”. Uma igreja missionária é uma igreja que cumpre a missão cristã. E isto começa com o comissionamento dos missionários. É quando uma igreja veterana decide ser mãe de uma nova igreja que vai nascer.

Isto parece meio óbvio, mas o oitavo capítulo do livro dedica-se a não deixar que isso seja passado por alto. “Os missionários comissionados” (Atos 13:1-4; 15:39-40) devem ser selecionados com oração, encorajados e treinados. É preciso ainda verificar-se se haverá condições para que eles recebem seus suprimentos para sustento e provisão necessários. Esta é a primeira fase do ciclo paulino.

A quarta parte de Plantar Igrejas vai descrever então o nascimento e o desenvolvimento sadios da nova igreja emergente. Os capítulos nove a dezesseis farão esta descrição instrutiva.

O nono capítulo preocupa-se em falar sobre os atos de contatar todos os possíveis elementos que serão o público alvo a ser envangelizado ou a envolver-se com a envangelização. O auditório contatado (Atos 13:14-16; 14:1; 16:13-15) serão representantes relevantes da comunidade abordados por cortesia, pessoas que poderão ser contatadas pelos veículos já existentes de assistência à sociedade, interessados no evangelho descobertos por contatos missionários e o grande público atingido pelas ações midiáticas da campanha evangelística que será realizada.

Hora de anunciar o evangelho (Atos 13:17ss; 16:31)! Para isto, é preciso contextualizar a mensagem, continuar firme no método adotado, saber selecionar os veículos de comunicação e implantar um sistema de medição. É isto que o capítulo dez ensina fazer nesta terceira fase do ciclo paulino de plantio de igreja.

A esta altura, os ouvintes estarão prontos para agora serem conduzidos ao processo de da conversão. E para que se consiga ouvintes convertidos (Atos 13:48; 16:14-15), é preciso ajudá-los a passarem por quatros passos seqüenciais: a) O da instrução; b) o da motivação; c) o da decisão; e d) o da confissão.

Um novo congregante sofre um certo tipo de transformação em sua cultura, e ele precisa ser levado a sentir-se integrante de sua nova comunidade. Nisto, não somente as funções do grupo receptor são importantes, mas há também um ideal de tamanho para este grupo. E uma análise disto deverá ser feita junto com a escolha e os cuidados para com o local e os horários das reuniões destes crentes. A elaboração do plano mestre para isto aparece nesta quinta fase do ciclo, descrita no capítulo doze de Plantar Igrejas como “Os Crentes Congregados” (Atos 14:43).

“A conversão não deve ser concebida simplesmente em termos de um exercício mental”, explica Hesselgrave. Por isto, a fé deve ser confirmada (Atos 14:21-22; 15:41) através da instrução para (e na) adoração, quanto aos cultos, o testemunho e à sábia administração da vida. “A instrução na Palavra, a adoração a Deus, o serviço prestado a Cristo, o testemunho ao mundo, a mordomia dos bens – estes são os elementos da confirmação” da fé do novo e de qualquer crente.

Mas como uma nova igreja irá andar com suas próprias pernas sem ter uma liderança? A instituição de uma nova liderança deve começar pela consagração dos líderes. Atos 14:23 é a base para que se promova o desenvolvimento da liderança, a organização que permanecerá e a disciplina bíblica para a funcionalidade e a eficácia da capacidade que a igreja agora adquirirá para expandir-se. Nesta sétima fase, já vislumbram-se os horizontes da repetição do ciclo.

No capítulo quinze, Hesselgrave instrui que, após a nova liderança ser delegada, “uma retirada amigável do pioneiro da congregação estabelecida na melhor ocasião possível” deve acontecer, para que, tão logo quanto possível, haja “uma transição ordeira da liderança pastoral na congregação”. “Os Crentes Recomendados” (Atos 14:23; 16:40). Trata-se de “uma continuação de ministérios eficazes que tenham sido empreendidos pelo obreiro pioneiro”.

E embora esta igreja que acaba de nascer deva continuar os seus relacionamentos com a igreja que a concebeu, ela não deve olhar somente no retrovisor. Os relacionamentos devem receber continuidade (Atos 15:36; 18:23), tanto no cultivo e crescimento da fraternidade mútua entre os crentes desta nova igreja, quanto na busca por relacionar-se com novas pessoas a serem alcançadas. Aqui começa os relacionamentos entre a igreja plantada e a missão.

De igreja plantada a nova igreja passa o status das “igrejas missionárias convocadas” (Atos 14:26-27; 16:1-4). Aqui, começa a quinta e última parte do livro, pois está sendo descrita a igreja em sua última fase de maturidade. É quando os novos crentes, entendendo a missão, dispõem-se a seguir participando na missão. E agora então passarão a ser “os missionários comissionados” (Atos 13:1-4; 15:39-40), repetindo o ciclo paulino a partir de sua primeira fase, como descrita acima, no sexto parágrafo desta resenha.

Do... Loop Until

Quando eu trabalhava como programador, era assim que eu escrevia: Do... Loop Until. E é assim que, como cristãos, temos que deixar a nossa marca neste mundo. Começando tudo de novo, uma nova igreja irá nascer, um movimento de plantação de igrejas prosseguirá “e este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim. Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Amém. Ora vem, Senhor Jesus” (Mateus 24:14; Apocalipse 22:20).

Leia este livro, e siga feliz em “Plantar Igrejas”! HESSELGRAVE, David J. Plantar igrejas: Um guia para missões nacionais e transculturais. São Paulo. Edições Vida Nova, 1984, 322.

Pr. Valdeci Júnior
Twitter: @Valdeci_Junior

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Quer dizer o que pensa sobre o assunto?
Então, escreva aí. Fique à vontade.
Agora, se quiser fazer uma pergunta, escreva para nasaladopastor@hotmail.com