domingo, 25 de maio de 2014

REACENDENDO O CICLO DE VIDA DAS IGREJAS EM PLATÔ

Introdução

De acordo com o pesquisador e autor Alan Nelson, a cada ano mais de 6.000 congregações fecham suas portas. Nelson afirma que as previsões são de que nos próximos anos, dezenas de milhares de igrejas deixarão de existir. Ele explica que muitas dessas falências são o resultado direto de uma falta de vontade de sonhar novos sonhos e de desenvolver novas abordagens para o ministério[1].

A proposta deste artigo é revisar a literatura de 2000 a 2010 sobre o tema de reacender o ciclo de vida das igrejas em platô, comparando e contrastando as ideias dos estudiosos, em diálogo com o autor deste artigo. Em alguns casos, obras mais antigas serão referenciadas, se o material for visto como relevante. A intenção principal é criar uma base para a recomendação de novas ideias e desenvolver uma estratégia que vai ajudar a redirecionar o ciclo declinante das igrejas platô.

O Ciclo de Vida das Igrejas

McIntosh sugere que a maioria das igrejas passa por um ciclo de vida normal. Elas passam por um período de nascimento e depois de crescimento, seguido por um período de vida plano, como em um platô. E então, em seguida, eventualmente um declínio e a morte. Veja a figura 1[2]:



Algumas das igrejas adventistas do sétimo dia no Brasil estão seguindo este ciclo. Como resultado das séries de conferências, do investimento na plantação de igrejas e dos evangelismos, houve nascimento acelerado e crescimento em muitas regiões do país. Enquanto essas igrejas mais jovens estejam nas emocionantes fases de nascimento e crescimento, em vários lugares, algumas das igrejas mais antigas estão começando a planar no platô. Se esta tendência continuar sem receber atenção, as igrejas que começaram a seguir em platô, inevitavelmente, começarão um lento declínio em direção à morte. Experiências pastorais anteriores com igrejas estagnadas em seu platô sugerem que um fator potencial para igrejas mais antigas ficarem no estado do platô é a falta de uma estratégia de evangelismo baseado em oração, que mantenha os membros acesos quanto à sua própria salvação e quanto à salvação de outros.

McIntosh também afirma que é preciso de 20 a 25 anos para uma igreja a crescer até à maturidade. Depois de ter alcançado seus objetivos, não havendo mais desafios, os membros começam a pensar que eles não precisam mais criar novas metas ou novos projetos; eles estão em uma zona de conforto. McIntosh declara: "Acontece uma desaceleração do crescimento enquanto a Igreja se move para um tipo de ministério de manutenção." E acrescenta: "Se esta igreja em platô é deixada sem ser desafiada, o eventual resultado é o declínio e, muitas vezes, a morte da igreja.[3]" Ele também afirmou que a maioria das igrejas no platô permanece nesse estado por cinquenta a sessenta anos.

McIntosh nomeou a curva do platô como "Síndrome de São João", a partir da narração do Apocalipse de quando o apóstolo João teve a visão das sete igrejas, terminando com a igreja de Laodicéia. A Bíblia diz (Ap 3:14-22) que a igreja não era nem quente nem fria, e que o Senhor estava prestes a vomitá-la. Quanto à sétima igreja, João declara: "Você diz: ‘Eu sou rica; adquiri riquezas e não preciso de coisa alguma’. Mas você não percebe que é infeliz, miserável, pobre, cega e nua" (Ap 3:16, 17). Acredito que, apesar de não encontrarmos em McIntosh um esclarecimento completo desta profecia, esta passagem oferece uma ilustração fabulosa da igreja em declínio.

Então, o que McIntosh recomenda a fim de evitar a condenação fatal da igreja? Ele afirma: "Infelizmente, porém, a maioria das igrejas nunca substitui o sonho de pagar a hipoteca da igreja por uma nova visão para o futuro. Assim, a Igreja começa a estagnar, o que leva a um eventual declínio." Então, a chave para superar "A Síndrome de São João" é redescobrir os valores da igreja e, em seguida, desenvolver um novo sonho para o futuro com base nesses valores. Ele acrescenta: "O ciclo de vida de uma igreja que passa a adquirir um novo sonho ficaria assim... "[4] (ver figura 2).



No novo ciclo de vida da igreja sugerido por McIntosh, os membros terão de "olhar para trás, a fim de saltar para a frente." McIntosh menciona uma arma muito importante para manter a luta contra o inimigo e permitir que a igreja cresça; ele diz, que a "oração poderosa é essencial para um plano poderoso."[5] Em outras palavras, no planejamento com fé em Deus, motivação humana e esforço, a igreja vai crescer fortemente.

Rick Warren, pastor de uma mega-igreja em Saddleback, na Califórnia, concorda com McIntosh. Warren diz que a oração é absolutamente essencial para qualquer igreja que quer crescer. Cada etapa do desenvolvimento da Saddleback foi banhada de oração. Warren também afirma que em todos os programas de sua igreja há uma equipe de oração orando enquanto o serviço está acontecendo. Ele acha que um ministério sem oração é um ministério sem poder. Embora Warren elevou o valor da oração, ele declara que é preciso muito mais do que a oração para que uma igreja cresça ou se mantenha em crescimento; ele diz que são necessários o desenvolvimento de habilidades e a ação com elas, a fim de manter o constante crescimento da igreja de Deus[6].

Josué oferece um exemplo bíblico claro do que Warren e McIntosh estão dizendo. Depois que os israelitas, sob a liderança de Josué, foram atingidos pelos homens de Ai, ele, bem como os líderes, se devotaram à oração e à súplica. Eles estavam neste estado desesperado da oração, quando Deus disse a Josué para parar de orar sobre o fracasso, e, em vez disso, se levantar e começar a corrigi-lo (Josué 7).

A Oração e o Crescimento Intensivo

Uma das maiores autoridades sobre este assunto é o acadêmico e orador evangelista Ed Silvoso . Ele concentra todos os seus esforços na oração , a fim de salvar os perdidos . Ele usa o exemplo da igreja primitiva , dizendo que através da oração e do evangelismo, os discípulos abalaram toda a cidade de Jerusalém, em apenas algumas semanas . Silvoso acredita na declaração que Jesus fez quando ele disse que, se crêssemos nEle, faríamos maiores obras do que Ele fez enquanto esteve na Terra (João 14:12). Silvoso diz que esta é uma passagem chave para responder a uma das questões mais difíceis: "Por que a igreja de hoje está fazendo um trabalho tão pobre de cumprir a Grande Comissão em comparação com a igreja primitiva?" Silvoso responde que, certamente, não foi fácil aos discípulos pregarem o Evangelho na cidade onde Jesus Cristo fora crucificado juntamente com dois criminosos, "não obstante, Jerusalém foi alcançada e logo a propagação do evangelho foi por toda a Judéia e Samaria e até além, todos os que viviam na Ásia ouviram a palavra do Senhor." Ele declara que a igreja primitiva entendeu algo que a igreja moderna ainda não aprendeu: "Eles podiam fazer obras maiores do que Jesus fez "(Atos 19:10 )[7]. Silvoso enfatiza o método para alcançar as cidades usando o exemplo bíblico do apóstolo Paulo que, segundo ele, nos ensinou sobre o evangelismo pela oração. Ele diz que o apóstolo Paulo nos exorta a orar para todos em todos os lugares (1Tm 2:1-8 ) . O autor também afirma que Paulo está dizendo a Timóteo que essa "declaração é tão confiável" que "todos na cidade poderão aceitar." Ed Silvoso justifica esta suposição dizendo que todas as pessoas, pelo menos, saberão a verdade e terão que concordar com a mesma, mas nem todos eles vão entregar o coração a Jesus e aceitá-Lo como seu Salvador pessoal[8].

Peter Wagner, outro notável acadêmico, concorda com Silvoso , dizendo que ele "acredita que, à medida que avançamos no século XXI, as cidades do mundo tornaram-se o principal alvo para o planejamento estratégico evangelístico". Wagner concentra sua escrita em belas histórias de pessoas que acreditavam em ministério de oração como uma ferramenta de evangelismo em todos os lugares, mas especialmente nas cidades. Ele acredita que, assim como Israel derrubou o muro de Jericó e venceu a cidade através do poder da oração, podemos fazer o mesmo hoje. Ele atesta que é bíblico orar pelos perdidos, mesmo que os perdidos não saibam que alguém está orando por eles. "A oração é o traço mais tangível da eternidade no coração do homem. A oração de intercessão em nome das necessidades sentidas pelos perdidos é a melhor maneira de abrir os olhos para a luz do evangelho". Wagner também afirma: " Trabalhando juntos em harmonia, os pastores da cidade e os intercessores da cidade são uma combinação imbatível"[9]. Como Silvoso e Wagner, acredito que quando oramos para interceder pelos perdidos, Satanás treme porque sabe que o seu poder não é maior do que o poder de Jesus. Ele já foi derrotado na cruz, mas ainda ruge como um leão procurando alguém para devorar (1Pedro 5:8). E, se não oramos por proteção, ele pode nos devorar. Mas, se temos a oração como nosso escudo e Bíblia como nossa espada divina, ele não tem poder contra a igreja, e a congregação certamente irá crescer.

Mark Mittelberg, um apaixonado especialista em Crescimento de Igreja, diz que assim como "as pessoas são importantes para Deus", eles devem ser importantes para nós. Se os membros de uma igreja em platô se lembrarem deste valor, sua igreja imediatamente começará a crescer e a se transformar em uma "igreja contagiante". É uma pena quando a liderança da igreja ignora esta questão e dá mais atenção aos problemas ou a outros programas que não revertem a situação de declínio. Mittelberg afirma que "quando esse valor realmente se enraíza", tudo na igreja começa a mudar, começando com a agenda, porque a agenda expressa exatamente com o que nos preocupamos a cada dia. O valor central de uma igreja deve ser se preocupar com os perdidos. Podemos ver o núcleo de valores do Céu em João 3:16. Através desta declaração,

Mittelberg sugere que, quando nós também amarmos o mundo (em termos de paixão pelas as pessoas), seremos capazes de fazer qualquer coisa que o nosso Pai pede dentro da finalidade de cumprir a missão de salvar o perdido[10].

Outro fato que Mittelberg menciona é uma vida exemplar evangelística no coração do líder. Quando o valor de cuidar do perdido tiver caído, o líder deve ser o primeiro a admitir isso e a tentar abrir os olhos da igreja para ver e admitir também. Mittelberg afirma: "A coisa mais natural a fazer, depois de admitir para si mesmo que o valor de evangelismo caiu, é falar com Deus"[11]. E com certeza, ele está certo, porque a oração vai aquecer você, e você vai aquecer os outros.

Usando o acróstico ACAS, Mittelberg aplica a seguinte fórmula de oração que os pastores e ministros leigos fariam bem em usar:

A - Adoração: Neste momento, você exalta o nome de Deus. Dá glórias a Ele por todas as coisas que consiga lembrar que tenham sido criadas por Deus para o benefício da humanidade. Agradece a Ele pelo seu amor, proteção, manutenção, perdão e salvação para o perdido. Inclusive nós.
C - Confissão: Nesta parte da oração você confessa o quanto é falho em não amar os perdidos como Ele o faz. Menciona que o Senhor moveu a Terra e o Céu, a fim de salvar a todos nós. E confessa que, todos os dias, quando encontramos alguém perdido no caminho do Inferno, perdemos muitas oportunidades de pregar o evangelho. Confesse quão egoísta tem sido, e peça perdão.
A - Ação de Graças: Agradeça ao Senhor Jesus pelo o pagamento feito na cruz, que se estende a nós hoje. Expresse a sua alegria pelo privilégio de fazer parte da família de Deus, pela honra de poder servi-Lo e de ter a oportunidade de fazer a diferença na vida de outras pessoas. Finalize esta parte com um "Obrigado porque seu amor e sua graça são exemplos para mim, enquanto tento expressar minha fé neste dia".
S - Súplica: Esta parte é onde você realmente suplica que misericórdia de Deus o torne apaixonado em amar aqueles que o rodeiam. Peça a Deus para ajudá-lo para que quando você vir alguém, você venha se lembrar de amá-lo com o amor e a paixão de Deus. Peça a Ele por conhecimentos e habilidades para de evangelizar quem está aberto para ouvir as Boas Novas da salvação. Pleiteie com Deus pela ajuda para que você possa permanecer em Cristo e vier a dar muito fruto. Finalize a oração em nome de Jesus[12].

Orando Por Uma Igreja Irmã

Aubrey Malphurs acredita que se uma igreja está crescendo, se está no platô, ou se está em declínio, o remédio é plantar uma igreja irmã. Embora Malphurs afirme que o remédio para igrejas em platô seja plantar uma igreja irmã, ele declara que o primeiro passo no processo é a oração, porque "quem planta igrejas" nunca deve se esquecer que a luta não é física, mas sim espiritual ( Efésios 6:10-20 )[13]. Por isso, terão de recrutar guerreiros de intercessão. Não há dúvida de que a oração seja uma arma fundamental para a luta contra o inimigo (Efésios 6:18-20). Sem orar pelos perdidos, ninguém que pretende trabalhar no exército do Senhor será bem-sucedido. Malphurs (2004) diz que as igrejas em platô, por terem um foco interno egoísta forte, não estão olhando para fora. Somando-me a este autor, acho que esta tendência tem de parar. Se a Igreja quer continuar cumprindo a Grande Comissão do Senhor, precisa usar orações poderosas e estratégias poderosas para iniciar e para patrocinar a existência de uma igreja irmã[14].

Ele afirma que, quando uma igreja decide plantar uma nova igreja, é natural que perca alguma parte de seus membros. Eles se tornarão a célula núcleo da nova igreja; através deles, a obra de Deus vai ter lugar e será uma bênção na nova área. Pela fé, se segue o trabalho. A igreja vai pra frente. Malphurs sugere que quando
a igreja mãe vê que seus bancos estão vazios, em vez de reclamar, deve continuar orando e criando novas estratégias pra preencher esses lugares novamente. Dessa forma, o ciclo natural da igreja será reacendido e os membros se alegrarão repetidamente, até segunda vinda de Jesus[15].

Aubrey Malphurs também declara que a principal preocupação da igreja mãe deve ser orar pelas igrejas irmãs, começando com a liderança e depois os membros. Ele declara que a igreja nunca vai subir acima de sua liderança. Portanto, se a liderança não está comprometida com a plantação de igrejas, a sociedade também não será comprometida. Se a liderança não orar por igrejas irmãs, a membresia também não o fará. Malphurs insiste que a liderança deve dar o exemplo para a congregação. Um líder deve lançar a visão de plantação de igrejas de uma forma tal que motivará as pessoas a também orarem pelo projeto. Ele conclui que, embora não seja realista esperar que alguém se empenhe com o mesmo esforço e ore na mesma medida, o principal objetivo é ter algumas pessoas orando o tempo todo[16].

McIntosh comenta sobre a fase platô do ciclo de vida de uma igreja, afirmando que ela poderia levar cinquenta a sessenta anos para começar a declinar[17]. Em desacordo aparente, Malphurs afirma que "as igrejas ficam estagnadas por apenas um curto período de tempo. Se a igreja continua a conduzir os negócios como de costume, vai começar a diminuir, o que é uma boa maneira de descrever o processo de morte"[18].

Minha igreja de origem ficou em platô por mais de quarenta anos e nunca declinou. Então veio um novo pastor com uma nova visão e plantou duas igrejas irmãs. Os membros ficaram cheios de entusiasmo, orando e glorificando ao Senhor. Eu fui pastorar uma outra igreja que estava passando do platô para o declínio de um jeito a própria associação estava se vendo ter que fechar a igreja. No entanto, essa medida motivou os membros de tal forma que, dois anos depois, eles estavam tão vivos e organizados como eram antes.

Considerando a discordância aparente de Malphurs e McIntosh, eu diria que ambos estão certos. A diferença entre as ideias é o pensamento da liderança, que agia através da implantação de novas ideias para alterar o ciclo de vida da igreja em momentos diferentes. Em outras palavras, a igreja que está morrendo pode ser reavivada a qualquer momento, dependendo da resposta da liderança.

Malphurs comenta que, às vezes, a única solução para as igrejas em declínio é aconselhar as pessoas a se reunirem em algum outro lugar, vender o imóvel, e investir no trabalho evangelístico em outro lugar. Outra opção é fechar a igreja por um período de seis meses, reformar as instalações, e plantar um novo ministério com uma nova visão e perspectiva para o bairro, pra atrair as pessoas de uma forma diferente. Malphurs acredita que as igrejas, mesmo morrendo, podem ser envolvidas em começar um novo trabalho[19].

Malphurs pode estar certo em sua declaração final acima, mas eu acredito que as medidas mencionadas por ele devem ser tomadas apenas como última alternativa, depois de tentar mudar a liderança. O fato é que nas igrejas que estão em declínio ou em platô, ou a liderança deve mudar de ideia, ou tais pessoas devem ser substituídas. A oração é a melhor maneira de preparar o coração para todas as necessidades ou mudanças.

A Oração Radical

Eu realmente acredito que as situações de platô ou de morte das igrejas devem ser confrontadas apenas com resolutas orações radicais. Derek J. Morris, o pastor sênior da Igreja Forest Lake, em Orlando, Flórida, descobriu um jeito radical de orar. Ele relata os resultados de sua pesquisa e de sua experiência com o ministério da oração. A descoberta mais impressionante foi a da oração radical a favor de pessoas considerando que trabalhamos para o Senhor da colheita: "Quando você dá permissão ao Senhor da colheita para que Ele se envolva em Sua colheita, como um cordeiro no meio de lobos, ele pede para você demonstrar uma atitude de dependência radical". Morris complementa isso com as instruções encontradas em Lucas 10:04: "Não levem nem bolsa, nem mochila , nem sandálias". Em outras palavras, Morris está dizendo que se quisermos cumprir o propósito de Deus para a nossa vida , se orarmos com uma oração de intercessão radical enquanto realmente acreditamos no poder de Jesus , nós vamos realizar isso[20]. Ele diz que o apóstolo João fala sobre isso em Apocalipse, quando menciona as características da Igreja de Laodicéia: " Conheço as tuas obras , que nem és frio nem quente . Eu queria que você estivesse de um jeito, ou do outro! Assim, porque és morno - nem quente nem frio - estou a ponto de vomitar-te da minha boca" (Ap 3:15, 16)[21]. A igreja de Laodicéia nunca deve se conformar com a situação de mornidão.

De acordo com os autores do livro Comeback Churches, as igrejas que estão em estado de platô deve estabelecer ênfase em oração estratégica em suas comunidades. Eles citam Roger Lipe, pastor da Primeira Igreja Batista em Woodlawn, Illinois, que conheceu a igreja quase morta, e com ênfase específica em oração, a igreja morta, que estava com uma dívida de 109.000,00 dólares, em um ano e meio, pagou todo o montante. De acordo com o pastor "foi doando que receberam, e a igreja uma vez morta está viva e ministra eficazmente para a comunidade ao seu redor". Stetzer acrescenta: "Sua atitude para a mudança e a crença no poder da oração levou outros a acreditar". Eles oraram radicalmente para reacender o ciclo de vida da igreja. E esse foi o segredo[22].

McIntosh também sugere que "uma poderosa oração é essencial para um poderoso plano e e para poderosos sonhos". Ele menciona que as orações nas igrejas em platô são muitas vezes deixados de fora do planejamento do processo. Salomão partiu pra oração radical para ser um grande rei e construir o Templo do Senhor no momento em que Deus o advertiu (bem como as pessoas) dizendo: "Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra (2 Crônicas 7:14)”. A oração foi o segredo de Salomão[23].

A Bíblia diz que Josué, após a decepção da cidade de Ai, foi mais uma vez um exemplo de como alguém superou a situação de estagnação através de um processo de oração radical. Josué foi tão radical que o Senhor teve que instruí-lo a parar de orar, levantar-se, e aceitar que Deus estaria com ele. "Então Josué rasgou as suas vestes e caiu de bruços no chão, diante da arca do Senhor, permanecendo lá até a noite" (Josh 7:6, 10). Ana, no templo, era tão radical que o sacerdote pensou que ela estava fora de si (1 Sm 1:10-15). Mas a sua oração radical revigorou seu sonho e trouxe à existência um dos maiores profetas de Israel.

Como Deus Vê

Philip Yancey concorda com Morris quando ele conta a história de Mike e seu amigo, dois estudantes que decidiram viver na rua e tiveram uma experiência radical de ajudar as pessoas ao seu redor através da oração de intercessão. Yancey também discute o amor radical que envolve uma pessoa que ora. Ele costumava pensar na oração de intercessão como trazer a Deus um pedido que Deus ainda não conhecia, mas agora ele vê a intercessão como um crescimento de sua própria consciência. Ele afirma: "Quando oro por outra pessoa, estou orando para que Deus abra meu olhos, para que eu possa ver essa pessoa como Deus vê, e, em seguida, passe a fluir também o amor que Deus já direciona para aquela pessoa"[24].

Se uma igreja está em declínio ou platô, os membros precisam aprender a amar uns aos outros e orar intercedendo uns pelos outros. Ellen White (1946) diz que em igrejas que não estão crescendo, os ministros devem treinar os membros para ser embaixadores de Cristo, através de treinamentos e de oração[25].

White adverte que "ao trabalhar onde já existem alguns na fé, o ministro deveria em primeiro lugar procurar não tanto converter os incrédulos, mas treinar os membros da igreja para a cooperação aceitável". Em outras palavras, ela está dizendo que os pastores deveriam deixar o os crentes por si mesmos exercerem o trabalho individual, tentando despertá-los para buscar uma experiência mais profunda, e então, realizarem o trabalho pelos outros. White conclui dizendo que quando eles estão preparados para sustentar o ministro por suas orações e trabalhos, mais sucesso acontecer em seus esforços[26].

A Bíblia também endossa as opiniões dos autores citados acima. Como Ken Anderson coloca nas palavras de Matt 11:28-30 e Gátas 6:02: "Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei . Peguem o meu jugo sobre vós e aprendei de mim , porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas . Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. Levai as cargas uns dos outros e, desta forma, cumprirão a lei de Cristo”. Anderson diz que é através da oração e da ação que demonstram o cuidado e a preocupação com os outros, que vamos ter prazer e vontade de sermos capazes de transportar as cargas de outra pessoa. Dessa forma, ele afirma que nós representamos o Reino de Cristo e nos tornamos embaixadores do Céu[27].

Jon L. Dybdahl, professor de Formação Espiritual no Seminário da Universidade Andrews, oferece um programa impressionante para qualquer um que deseja ser um verdadeiro discípulo de Jesus. Uma coisa que Dybdahl destaca é o convite de Deus para cada um de nós ter comunhão e relacionamento com Ele e com os nossos vizinhos. Ele diz: "O povo de Deus sempre foi uma comunidade formada de um grupo de crentes que compartilham e apoiam uns aos outros. Este princípio é especialmente importante na vida espiritual”[28]. É preciso criar um ambiente de paz e de boas-vindas, a fim de fazer com que novos crentes se sintam bem-vindos na comunidade. Quando isso acontece, nós podemos chamar isso de oração e reavivamento.

Oração e Reavivamento

De acordo com o especialista em oração Edward M. Bounds, muitas das falhas nos esforços de reavivamento têm sido por causa da falta de uma oração disciplinada e poderosa. Ele declara que, sem oração, uma “igreja é como um corpo sem espírito; é uma coisa morta e inanimada. Uma igreja uma oração é uma igreja com Deus"[29].

Em seu artigo "Oração e Reavivamento", Louis Bartlet define renascimento como "os santos voltando ao normal"[30]. Isso significa que o reavivamento só pode acontecer seguido de santificação, e isso vai acontecer se a igreja voltar ao normal. É tempo de oração e reavivamento como no dia de Pentecostes.

O pastor da Brooklyn Tabernacle, em Nova York, Jim Cymbala , afirma que "reavivamento é onde você vê multidões sendo salvas, não vindo de outra igreja porque há um programa melhor... uma igreja onde se amam uns aos outros e se unem para orar e clamar ao Senhor... um retorno ao Livro de Atos"[31]. A essência de sua definição é que uma igreja que cresce por transferência não representa crescimento real nem reavivamento. O verdadeiro reavivamento tem a ver com a verdadeira conversão dos incrédulos para serem crentes em Jesus Cristo seguindo completamente Seus ensinamentos.

A Importância da Comunidade Maior Sobre o Indivíduo

De acordo com Ed Stetzer e Mike Dobson o reavivamento da igreja depende de alguns elementos que são de vital importância para o crescimento da mesma: (1) a Igreja deveria renovar sua crença em Jesus Cristo sua missão; (2) a Igreja deveria renovar uma atitude de servidão; (3) a igreja deveria desenvolver esforços estratégicos de oração[32].

Stetzer e Dobson declaram que a Igreja Batista Homestead Heights, em Durham, Carolina do Norte, teve seu nome mudado para Igreja Summit em Durham. A mudança ocorreu porque a antiga igreja formal, estava em declínio, e de acordo com o pastor local, o motivo foi a transição da comunidade ao redor da igreja. Embora o pastor estivesse parcialmente certo, o verdadeiro problema era a falta de compromisso para com a situação atual e para com a missão. Quando eles mudaram o nome, eles mudaram de marquise e a comunidade ao redor da igreja foi impactada pelo novo nome e por suas ações para com as pessoas que viviam na área. Como resultado da coragem e da nova visão da igreja, em poucos anos, a frequência aumentou de 600 para 1.600 membros. Stetzer e Dobson, concluem dizendo que a motivação missionária elevou a atitude das pessoas em direção a servidão e por meio da oração, eles foram capazes de se sustentarem firmes no propósito direito da igreja naquela área, “cada vez que as pessoas têm orado de forma séria, o crescimento tem acontecido”[33].

Oração: Fonte de Reavivamento

Não há dúvida de que a oração é a base para o reavivamento. Na verdade, o segredo para o reavivamento em cada geração tem sido a oração. Frank Beardsley escreveu: "É possível ter revivals sem pregação, sem igrejas e sem ministros, mas sem a oração um verdadeiro reavivamento é impossível"[34]. A igreja primitiva começou com oração e reavivamento. Após a morte de Jesus, os discípulos ficaram muito desapontados. No dia de Pentecostes, forneceu evidência tangível de que, quando os discípulos de Jesus oraram, algo aconteceu. Havia apenas 120 pessoas orando pelo Espírito Santo, ea ordem de Jesus era simples: Ele disse aos discípulos que permanecessem em Jerusalém e esperassem que promessa de Deus fosse cumprida (Atos 1-2).

A Oração Muda o Indivíduo, Não o Ambiente

Os discípulos precisavam orar por muitas coisas: Pedro negara a Jesus (Mt 26:69-75), Tomé tinha duvidado de Jesus (João 20:24-29), e os irmãos João e Tiago estavam envergonhados porque recordaram como eles queriam ter posições melhores do que os outros no reino de Jesus (Marcos 10:35-45). De fato, a oração era mais do que necessária para mudar suas atitudes para a missão. E mover a igreja a estarem unidos e reavivados era essencial.

Os diretores dos “Concertos de Oração” na Grande Nova York, Pier e Sweeting relatam que após a ascensão de Jesus, Ele esperava que os discípulos orassem juntos, e eles fizeram. Eles apontaram que a Bíblia diz claramente que os discípulos estavam unidos através da oração. "Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas (Atos 1:14). Pier e Sweeting acreditam que foi o poder da oração que unificou os crentes e os preparou para a ação[35].

John Stott declarou que "no dia de Pentecostes, o mundo inteiro estava lá através de representantes das várias nações", através da oração o Espírito Santo desceu", cada ouvinte escutou o evangelho proclamado em sua própria língua" e, como resultado da oração e da união dos discípulos, “mais de 3.000 foram batizados na igreja primitiva em um dia". Aquilo foi um impressionante reavivamento[36].

Peter Masters o autor do livro Worship in the Melting Pot (que é uma crítica a alguns movimentos contemporâneos nas igrejas cristãs) afirma que a maior igreja do mundo, é a Igreja Evangélica Yoido Full em Seul , Coreia do Sul , com mais de 850.000 membros[37]. Paul Yonggi Cho afirma em seu livro Prayer: Key to Revival que a única maneira de começar um reavivamento em uma igreja é através da oração. Ele passa a explicar que receber e conhecer o Espírito Santo é necessário para entrar em uma vida de oração. Diz ainda que a oração abre a porta para o Espírito Santo. E como pastor da maior igreja do mundo, ele pôde sentir os resultados e o poder de uma vida de oração[38].

Ele também declara que o Espírito Santo pode abençoar e orientar alguém quando este lê a Escrituras e testemunha de Cristo. Cho afirma que, embora o Espírito Santo possa ungir as pessoas enquanto elas pregam e ensinam a palavra de Deus, a única maneira de ter uma íntima comunhão com o Espírito Santo é através de uma vida de oração[39]. Ministrando a maior igreja do mundo, Cho percebeu que sem o poder do Espírito Santo, que ele não podia fazer muitas coisas. Ele diz que começou a tentar salvar almas através de estudos bíblicos e da amizade, mas com resultados pobres. Então, ele percebeu que precisava aprender a chegar ao Espírito Santo através da oração; sua igreja começou a crescer e logo se tornou a maior igreja do mundo. Peter Wagner defende o movimento de oração de Cho e em sua apresentação sobre ministério de oração intercessora para os líderes cristãos, menciona que ele foi visitar o Dr. Cho na Coréia e viu-o como um homem de surpreendente oração. Wagner conta que eles foram para o monte de oração e ele achava que estavam lá apenas para uma turnê, mas quando chegaram lá, o Pastor Cho disse que eles estavam indo para lá para orar por uma hora. De acordo com Wagner, ele não estava acostumado a fazer isso e foi muito difícil para ele ficar lá e orar por uma hora, mas depois disso, sua maneira orar mudou[40].

Tanto Cho quanto Wagner são carismáticos. E por causa disso, alguns são tentados a criticar o seu método e por algumas boas razões, tais como as suas crenças sobre o dom de línguas e outras questões carismáticas, não aceitamos as suas maneiras de orar. Mas até agora, nesta conversa, a sua teologia da oração é bíblica e nós certamente temos coisas boas para aprender com eles. Masters rigidamente critica Cho pelo que ele escreveu em um dos seus livros mais recentemente reimpressos, chamado The Fourth Dimension. Masters argumenta que "Cho ensina que a oração vai certamente alterar o mundo material e levar ao crescimento da igreja, mas ele falha”, afirma o escritor “em perceber que a verdadeira oração não necessariamente exige a mudança das circunstâncias ou do mundo material para o homem, mas ao contrário, ela exige a mudança da atitude do crente e a submissão da sua vontade à vontade de Deus"[41]. Masters tem razão quando critica a atitude de Cho em dar ordens ou comandos a Deus. Embora tenhamos exemplos na Bíblia de homens dizendo a Deus o que fazer ( Josué 10:12-13), isso não significa que os homens têm o direito de exercer sempre a sua própria vontade. No modelo de oração de Jesus, Ele nos ensinou a orar de acordo com a vontade do Pai. "Venha a nós o teu reino, mas seja feita a tua vontade, assim na Terra como no Céu (Mt 6:10)” . Dizer a Deus o que fazer não é a nossa regra, o Espírito Santo se ocupa em interceder por nós (Romanos 8:26-27 ) . Embora Peter Masters esteja certo, em parte, em sua crítica ao Cho, eu acredito que Cho está mais perto do ideal bíblico de oração do que muitas outras igrejas protestantes tradicionais. Se estamos seguindo o modelo bíblico de Deus, devemos ter uma ideia equilibrada sobre a oração, e não temer o que as pessoas vão dizer.

O Ministério da Oração na Igreja Adventista do Sétimo Dia

Como alguém que participou da fundação da Igreja Adventista do Sétimo Dia, Ellen G. White acha que depois que os leigos são treinados para orar, eles devem estar preparados para sustentar o ministro pela oração e pelo trabalho, e grande sucesso vai assistir seus esforços[42]. White também escreveu: "O Senhor tem operado para trazer muitas almas à verdade por causa dos membros da igreja que nunca foram convertidos"[43]. Quando as pessoas se convertem a Jesus Cristo, passam a ter amor e paixão para salvar os que estão perdidos. Em outras palavras, se a Igreja reconhecesse sua necessidade de reavivamento, para ter sucesso em ganhar almas para Jesus, aprenderia sobre como ter e começaria um movimento de oração intercessora. Como mencionado anteriormente, nós temos que olhar para trás, se quisermos saltar para adiante. White afirma que, em tempos passados, havia aqueles que prendiam suas mentes em uma só alma uns com os outros, dizendo: "Senhor, ajuda-me a salvar esta alma". Isso não está acontecendo mais, ela declara. Se isso acontecer, esses casos são raros[44].

Russell Burrill, plantador de igrejas, sugere que a "Igreja Adventista do Sétimo Dia não é uma denominação, mas um movimento de plantação de igrejas"[45], e acrescenta que um movimento através da oração e da pregação se move o tempo todo. Se temos igrejas estagnadas nesse movimento, elas perderam o foco do movimento e da mudança, pois muitas vezes a zona de conforto é tão relaxante que as pessoas não querem ser incomodadas na atividade de plantar uma nova igreja. Concordo com Burrill, embora a Igreja Adventista hoje pareça estar agindo mais como uma denominação institucional do que como um movimento, como ele sugeriu.

Burrill está em sintonia com David J. Bosh, que escreveu sobre o fracasso da igreja primitiva; Bosh diz que a igreja primitiva "deixou de ser um movimento e se transformou em uma instituição". Ele afirma que há muitas diferenças entre uma instituição e um movimento. São dois elementos distintos, enquanto um é conservador e o outro é progressivo; um é mais ou menos passivo, cedendo à influência de fora, enquanto o outro é ativo e influencia, em vez de ser influenciado; um olha para o passado, o outro para o futuro. Bosh inclui, "poderíamos acrescentar que um é ansioso, e o outro está preparado para assumir riscos; um guarda limites, e o outro atravessa-os[46].

A nossa igreja está ficando institucionalizada e feliz com o tremendo sucesso que alcançou? É por isso que em muitos países as igrejas estão envelhecendo, que há uma falta de boa vontade para pregar o evangelho, uma falta de amor para aqueles que não são conhecidos, uma falta de oração e reavivamento?
Não haverá mudanças se pensarmos que conseguimos tudo o que sonhamos para a nossa igreja. Na realidade, a nossa igreja deveria estar acompanhando o rápido crescimento da população. Se há uma vila sem uma igreja, não são feitas. Esta filosofia tem de ser uma parte das crenças adventistas do sétimo dia em todo o mundo[47].

Christian Schwarz é elogiado por causa das descobertas ele fez sobre o conceito conhecido como "Desenvolvimento Natural da Igreja" (DNI). Burrill diz que foi um dos desenvolvimentos mais interessantes no crescimento da igreja ao longo da última década. Ele afirma que o DNI traz o movimento de crescimento da igreja de volta aos princípios enunciados nos primeiros dias. Ele diz que a Bíblia e os escritos de Ellen White podem subscrever as oito características identificadas por Schwartz. As igrejas que buscam saúde podem alcançá-lo, colocando em prática as oito características do DNI[48].

De acordo com a Burrill, os oito princípios do DNI são (1) Capacitação da liderança, (2) Ministério baseado nos dons, (3) Espiritualidade apaixonada, (4) Estruturas eficazes, (5) Serviços de adoração inspiradores, (6) Pequenos grupos holísticos, (7) Evangelismo em função das necessidades, e (8) Relacionamentos amorosos. Ele enfatiza estas oito características de qualidade como absolutamente essenciais para aquelas igrejas que querem levar o crescimento a sério[49].

Burrill adverte que o crescimento certo a ser desejado não é apenas o crescimento numérico, mas também a qualidade, que é o crescimento saudável[50]. Na minha opinião, todas as oito características de qualidade são essenciais para o crescimento saudável, mas a oitava não vai acontecer se a terceira (espiritualidade apaixonada) não for uma realidade prioritária no coração de cada cristão individualmente. Podemos ser definitivamente saudáveis somente através da leitura das Escrituras, seguida de conversa com Deus e de obediência à Sua Palavra.

Muitas igrejas sofrem da estagnação do crescimento porque já aceitaram o status quo (que significa "manter as coisas do jeito que são atualmente”). As igrejas sofrem para alcançar o status de estar bem construídas, ter abundância de membros e boas instalações. A membresia é tentada a pensar que têm tudo o que precisam - a igreja está sob medida. O primeiro amor, aquela paixão pela igreja e pra fazer convites pra que outras pessoas visitem e participem, acabou. Em outras palavras, a igreja torna-se tão satisfeita e sofisticada que apenas certas pessoas são convidadas para fazer parte da igreja. Burrill sugere que existem dois tipos diferentes de igrejas : uma é a igreja estendida e a outra é a igreja não- estendida. A igreja estendida vem de suas oikos (casas) com a abertura para a integração com os outros, para se tornarem uma grande família, enquanto a igreja não-estendida está preocupada com seus próprios membros e não quero ter o esforço de iniciar novas relações . Ele compara as duas igrejas com o navio de pesca simples e do navio de cruzeiro de luxo. No navio de pesca, os peixes são capturados e jogados no convés, as suas entranhas são cortadas, e o cheiro não é o melhor, mas todo mundo está feliz. No cruzeiro de luxo, se você decidir pescar, pouco antes de o peixe chegar à plataforma, você terá que passar no escritório de segurança. O cruzeiro de luxo tem o prazer de tê-lo com eles, mas não vai permitir que você traga peixes a bordo por causa da bagunça do cheiro terrível. Burrill conclui dizendo que algumas igrejas adventistas do sétimo dia, depois de aceitar o status quo, de navio pesqueiro transformam-se em cruzeiro de luxo, e não querem encher o barco com o mau cheiro da pesca[51]. É triste, mas eu tenho que concordar com ele. No entanto, ao mesmo tempo, acho que o ponto de transição, o platô, ou um novo crescimento são uma oportunidade para os líderes das igrejas repensarem a visão da mesma e encontrarem formas criativas para mudar a mentalidade da congregação, antes que seja tarde demais.

Parceiros de Oração

Steve Barker define “parceiro de oração” como “um membro do seu grupo com quem você se encontra regularmente para compartir e orar”[52].

Os coordenadores do Ministério dos Parceiros de Oração, Shewmake e Shewmake, no artigo "Evangelism Prayer Partners" sugerem um forte programa de oração evangelística. A proposta recomenda que "enquanto todos os parceiros de oração vão orar pela divulgação da igreja alguns devam se concentrar especialmente nas reuniões evangelísticas da mesma”[53]. Um grupo de três ou mais parceiros de oração deve começar a orar regularmente, logo que as reuniões evangelísticas são planejadas, e continuar ao longo da série. Especificamente, eles precisam ter algumas sugestões quanto ao foco de seus momentos de oração. Veja uma sequência sugerida para os parceiros de oração: Primeiro, orar pelas pessoas que serão convidadas para as reuniões. Esta lista é compilada a partir dos nomes de amigos e vizinhos sugeridos pelos membros da igreja, pelas referências da televisão, do rádio e da internet, pelos contatos de estudos bíblicos, etc. Em segundo lugar, orar pelos preparativos para a reunião: localização, equipamentos, publicidade, pregador, músicos, etc. Por terceiro, orar pelo derramamento do Espírito Santo na preparação para as reuniões e durante as reuniões. Em quarto lugar, orar durante cada reunião pelo pregador e por todos os que participam, bem como por cada um que vem assistir o encontro, incluindo os membros da igreja. Em quinto lugar vem a prontidão de orar depois de qualquer reunião com as pessoas que precisarem de oração especial para a cura: espiritual, emocional , relacional ou física.

Embora essas sugestões sejam muito básicas , fazem uma grande diferença em uma reunião evangelística e são necessárias para manter o Diabo fora do campo, e os anjos do Senhor protegendo a vida das almas.

“Parceiros de Oração” precisam ser um forte componente dos programas onde o crescimento espiritual dos membros, da Igreja em geral e da comunidade vem a ser o foco . Um especialista em crescimento da igreja, Dr. John Maxwell, sugere uma estratégia de evangelismo baseada na oração através do “Ministério dos Parceiros de Oração” como um grande instrumento de crescimento da igreja e de eficiência no ministério. Ele diz que “o grande desafio da igreja local é mobilizar os cristãos a orar muito”[54], e enfatiza que a liderança deve ir na frente, começando com o pastor. Maxwell diz: "Os ministérios mais eficazes são aqueles que começam com um núcleo de trabalhadores que têm uma carga de profundidade e, em seguida, crescem lenta, mas firmemente"[55]. E ele encoraja os pastores a começarem a orar por aqueles que se dedicam à sua liderança e a terem uma visão em seu ministério. Isso é apenas o começo do “Ministério dos Parceiros de Oração”. John Wesley disse certa vez: "Dê-me cem pregadores que não temem nada além do pecado e que não desejam nada além de Deus, e eu não darei a mínima se tais serão clérigos ou leigos; contando que os tais abalarão as portas do inferno e estabelecerão o reino do Céu na Terra. Deus não faz nada, se não for em resposta à oração"[56].

Sobre o tema de reavivamento e evangelismo através da oração, Peter Wagner diz: "Quanto mais pudermos direcionar nossas orações a Deus para a destruição das fortalezas, mais poderosas nossas orações deverão ser"[57]. Além disso, falando sobre o sucesso de um líder cristão, Blackaby e Blackaby dizem que "mais e mais líderes estão reconhecendo que, com esforço deliberado, um bom planejamento e muita oração", eles não precisam se render às armadilhas "que podem prejudicar a sua liderança e pôr em risco sua vida pessoal”. Blackaby também sugere que um bom líder de igreja deve participar de um pequeno grupo de oração e de comunhão, a fim de servir de exemplo para os leigos[58].

Eu acredito que quando os seres humanos fazem um esforço para alcançar o perdido, Deus, como um dos mais interessados na questão, disponibiliza seu poder para fazer com que tais planos aconteçam. É por isso que é necessário se estabelecer os planos com oração e com cuidados especiais. "Os alvos devem ser estabelecidos com oração. A igreja na qual sou membro não é minha, mas de Deus"[59]. Quanto a isto que McQuoid afirma, eu diria que muitos poderiam usar como uma desculpa, dizendo que não é o seu negócio, mas o negócio de Deus. No entanto, o Senhor confiou este negócio às mãos humanas. Resta-nos buscarmos a direção de Deus em todos os momentos e seguirmos em frente ouvindo Sua voz.

De acordo, K. McFarland comenta que Deus confiou uma grande responsabilidade a você e a mim nestes últimos dias do grande conflito entre Cristo e Satanás. Estudar a Bíblia lendo os escritos de Ellen G. White e orando pelo poder do Espírito Santo a fim de compartilhar as boas novas da salvação com o perdido, deve ser a prioridade dos membros da igreja e liderança[60].

A Bíblia diz que precisamos melhorar nossa fé ouvindo e estudando a Palavra de Deus e pregando a mensagem recebida através do Espírito Santo para aqueles que ainda não a conhecem (Romanos 10:17). O povo de Israel ouviu a Palavra de Deus, mas não creu e não pregou. Como consequência dessa desobediência, perderam o direito de serem chamados de povo de Deus. Acredito que isso é o que vai acontecer com aqueles que ouvem a grande comissão de Jesus e não obedecem. Certa vez, Jesus disse aos discípulos: "Toda a autoridade no Céu e na Terra foi dada a mim". Por isso, Ele enfatiza: "Ide e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E, com certeza, eu estarei sempre covosco, até o fim dos tempos" (Mateus 28:18-20).

Ouvindo a Deus

Em sua fenomenal Igreja de Willow Creek, Hybels apresenta um plano extraordinário de diálogo com Deus, com um jeito especial de ouvir a voz de Deus. Ele diz que essa ideia veio à sua mente quando ele, como uma criança, ouviu um pastor pregando sobre o chamado de Samuel e sua capacidade de ouvir a voz de Deus. Um pensamento lhe veio à mente sugerindo que um dia ele iria ouvir a voz de Deus como Samuel o tinha feito. Ele também revela que; desde aquela época que tal pensamento veio à sua mente, a sua oração era "Deus me dê a os ouvidos de Samuel"[61]. Seguindo Hybels , creio que ouvir a voz de Deus é uma atual necessidade da igreja, mais do que nunca. Mas também, tem o perigo de a igreja estar tão longe de Deus que ouvir Sua voz pareça ser quase impossível. Sugiro que, para ouvir a voz de Deus, a igreja deva estar familiarizada com o Senhor. O pastor conhece as suas ovelhas e as ovelhas reconhecem a sua voz ( João 10:14 ). Caso contrário, a igreja pode confundir a voz de Deus com vozes conflitantes. A Bíblia diz que Satanás é sábio o suficiente para enganar o povo de Deus e que ele se disfarça como um anjo de luz (2Coríntios 11:14). Hybels sugere cinco filtros os quais crê que podem nos ajudar a distinguirmos se a voz vem do Senhor, ou não. Devemos perguntar: (1) "é a mensagem verdadeira de Deus? " (2) "É bíblica?" (3) "É sabedoria?" (4) "Está em sintonia com Seu próprio caráter?" (5 ) "O que as pessoas nas quais você mais confiança pensam sobre isso?[62]

Estes cinco filtros sugeridos por Hybels são muito importantes, mas nunca devemos esquecer que Jesus adverte-nos dizendo: "Pelos seus frutos os conhecereis. Não colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Do mesmo modo, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus.

Uma árvore boa não pode dar maus frutos, nem a árvore má não pode dar bons frutos (Mateus 7:16-18)”. Quando Ellen G. White diz que a oração “é falar com Deus como a um amigo"[63], está sugerindo a oração como diálogo com Deus, e em qualquer diálogo está tanto o falar quanto o ouvir. Nós realmente precisamos aprender a ouvir a voz do Senhor.

Considerando as dificuldades encontradas no ato da oração, Dwight Nelson descobriu que o maior problema é a falta de concentração. Quando estamos falando com Jesus, a falta de concentração vai além de não tomar tempo suficiente, não usando algum tempo para escutar. Por isso, Nelson sugere uma nova maneira de orar, por meio de um diário com Jesus. Ele diz que tudo o que você precisa é da sua Bíblia, caneta marca-texto vermelha, caneta para escrever e um diário. Junto com isso, você precisa escolher um lugar especial, ou, como ele o chama, um "quarto de oração". Ele menciona que, de longa data, guerreiros de oração usavam o chamado lugar de oração diária - no inglês arcaico "a place to repair to". É um excelente plano para ter um lugar de oração para, com Jesus, fazer os devidos reparos no final do dia. Os principais pontos da sua proposta do diário incluem o seguinte: Em primeiro lugar, escolher uma passagem do Novo Testamento e ler apenas uma história, uma perícope. Concentre-se e medite sobre ela. Releia e pergunte: O que isso me diz sobre Jesus? Antes do próximo passo, coloque a data escolhendo uma cor diferente para isso. Em segundo lugar, escreva uma carta para Jesus, explicando sua reação quanto ao que você leu. Em terceiro lugar, escreva uma carta de Jesus expressando o que ele estaria falando com você.

Dessa forma, quando você está escrevendo uma carta para Jesus, e uma carta de Jesus para você, em seu diário confidencial, você não perde a sua concentração com interrupções. O tempo passa rápido o suficiente para tomar pelo menos 20 minutos por dia. E na medida em que o hábito vai se consolidando, logo, logo, o tempo gasto em diálogo com Jesus através do processo de registro no diário passa de uma hora por dia[64].

O método de Nelson é um projeto maravilhoso, mas, respeitosamente, eu gostaria de adicionar, à leitura dos Evangelhos, o restante do Novo Testamento, algumas partes do Antigo Testamento e alguns escritos de Ellen G. White. Como adventistas do sétimo dia, precisamos conhecer a mensagem completa de Deus que compõe toda a doutrina da nossa fé.

Sumário

Neste artigo, diferentes abordagens de oração foram examinados. É claro que a oração é necessária para cada programa, projeto ou movimento no serviço cristão. O escritor sugere que sem a oração, a igreja de Deus perde a direção e o poder do Espírito Santo. Se a liderança não perceber que a oração é tão importante e não preparar um plano para reacender as igrejas que estão como o crescimento estagnado em platô, ou em declínio, muitos se tornarão pastores e líderes de igrejas em estado de morte. Os que os líderes e membros decepcionados precisam é somente se voltarem para Deus e aceitarem o poder oferecido aos seus discípulos.


Autor: Otoniel Ferreira.
Traduzido Por Valdeci Júnior em Foz do Iguaçu, 24 de maio de 2014.
Publicado em: Kuhn, Wagner, editor, The Book And The Student - Theological Education As Mission: A Festschrift Honoring José Carlos Ramos (Berrien Springs, MI: Mission Department, Andrews University), páginas 289-311 (com resenha em http://www.nasaladopastor.com/2012/09/the-book-and-student-o-livro-e-o.html )  .



[1] A. Nelson, “Innovate or Die,” http://www.rev.org/article.aspID=2664 (accessed March 31,
2010).
[2] G. L. McIntosh, Look Back Leap Forward: Building Your Church the Values of the Past (Grand
Rapids, MI: Baker Books, 2001), 25-26.
[3] McIntosh, Look Back Leap Forward, 28.
[4] Ibid., 31.
[5] Ibid., 43.
[6] R. Warren, The Purpose Driven Church: Growth Without Compromising Your Message & Mission
(Grand Rapids, MI: Zondervan, 1995), 58, 59.
[7] E. Silvoso, Prayer Evangelism (Ventura, CA: Regal Books, 2000), 48.
[8] Ibid., 56.
[9] C. P. Wagner, Praying with Power (Ventura, CA: Regal Books, 1997), 161, 165, 170.
[10] M. Mittelberg, Building a Contagious Church: Revolutionizing the Way We View and Do
Evangelism (Grand Rapids, MI: Zondervan, 2000), 35.
[11] Ibid., 93.
[12] M. Mittelberg, Building a Contagious Church, 93, 94.
[13] A. Malphurs, Planting Growing Churches for the 21st Century (Grand Rapids, MI: Baker
Books, 2004), 256.
[14] Ibid., 257.
[15] Ibid., 250-257.
[16] Ibid., 257.
[17] McIntosh, Look Back Leap Forward, 28.
[18] Malphurs, Planting Growing Churches, 256.
[19] Ibid.
[20] D. J. Morris, The Radical Prayer (Hagerstown, MD: Autumn House, 2008), 65.
[21] McIntosh, Look Back Leap Forward, 31.
[22] E. Stetzer and M. Dobson, Comeback Churches (Nashville, TN: B & H Publishing Group,
2007), 70-71.
[23] McIntosh, Look Back Leap Forward, 43, 44.
[24] Phillip Yancey, Prayer: Does It Make a Difference? (Grand Rapids, MI: Zondervan, 2006),
303, 306, 307.
[25] Ellen G. White, Evangelism (Washington DC: Review and Herald, 1946), 110, 111.
[26] Ibid., 110, 111.
[27] K. Anderson, Bible-based Prayer Power (Nashville, TN: Thomas Nelson, 2002), 78.
[28] Jon L. Dybdahl, Satisfying the Longing Hunger of Your Soul (Hagerstown, MD: Review and
Herald, 2008), 78, 79.
[29] E. M. Bounds, The Necessity of Prayer (Oak Harbor, WA: Logos Research Systems, 1999), 58.
[30] L. Bartlet, “Revival and Prayer,” http://www.bayou.com/~lou2247/revpray.html (accessed
March 15, 2010).
[31] J. Cymbala, “Revival Begins with Prayer,” Enrichment: The General Council of the Assemblies
of God (1996), 23.
[32] Stetzer and Dobson, Comeback Churches, 56-70.
[33] Ibid.
[34] F. G. Beardsley, A History of American Revivals (Boston, MA: American Tract Society,
1904), 35.
[35] M. Pier and K. Sweeting, The Power of a City at Prayer (Downers Grove, IL: InterVarsity
Press, 2002), 46.
[36] John Stott, as cited in Pier and Sweeting, The Power of a City at Prayer (Downers Grove, IL:
InterVarsity Press, 2002), 46.
[37] P. Masters, Worship in the Melting Pot (Oberlin, OH: The Wakeman Trust, 2002).
[38] P. Y. Cho, Prayer: Key to Revival (Dallas, TX: Word Publishing, 1984), 43, 44.
[39] Ibid.
[40] C. P. Wagner, How to Have a Prayer Ministry: Intercession for Christian Leaders [videorecording] (Pasadena, CA: Charles E. Fuller Institute of Evangelism and Church Growth,
1992).
[41] Masters, Worship in the Melting Pot, 36-49.
[42] E. G. White, Gospel Workers (Hagerstown, MD: Review and Herald, 1915), 196.
[43] E. G. White, Testimonies for the Church, 9 vols. (Hagerstown, MD: Review and Herald,
1900), 6:371.
[44] White, Gospel Workers, 65.
[45] Russell Burrill, “Challenges-seeds 2001,” Electronic recording (Berrien Springs, MI: Andrews
University, 2001).
[46] D. J. Bosh, Transforming Mission: Paradigm Shifts in Theology of Mission (Maryknoll, NY:
Orbis Books, 2006), 50, 51.
[47] Burrill, “Challenges-seeds 2001.”
[48] Burrill, How to Grow an Adventist Church: Fulfilling the Mission of Jesus (Fallbrook, CA: Hart
Books, 2009), 57.
[49] Ibid., 59-62.
[50] Ibid.
[51] Ibid., 71-72.
[52] S. Barker, Good Things Come in Small Groups: The Dynamics of Good Group Life (Downers
Grove, IL: InterVarsity Press, 1997), 172.
[53] J. Shewmake and C. Shewmake, “Evangelism Prayer,” http://www.prayerpartners.com/
Handbook/Ch4.htm (accessed November 21, 2010).
[54] J. Maxwell, Pastor’s Prayer Partners (Norcross, GA: INJOY, 1990), 1.
[55] Ibid., 11.
[56] Ibid., 14.
[57] Wagner, Praying with Power, 87.
[58] H. T. Blackaby and R. Blackaby, Spiritual Leadership (Nashville, TN: B & H Publishing
Group, 2001), 261.
[59] S. McQuoid, Sharing the Good News in C21 (London, UK: Patemoster Press, 2002), 68.
[60] K. McFarland, The Called the Chosen: God Has Always Had a People (Hagerstown, MD:
Review and Herald, 2006), 4.
[61] Bill Hybels, The Power of Whisper (Grand Rapids, MI: Zondervan, 2010), 19-23.
[62] Ibid., 98-105.
[63] Ellen G. White, Steps To Christ (Mountain View, CA: Pacific Press, 1892), 93.
[64] Dwight Nelson, New Way to Pray (Fallbrook, CA: Hart Research Center, 1993), 17-28.

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