quarta-feira, 30 de setembro de 2015

O Cinema e a Identidade do Adventismo Relevante

Algo que deixa muitos pastores e obreiros tristes é a ênfase do “pode versus não-pode” em uma sessão de perguntas depois de uma palestra. Precisamos sim saber o que é devido ou não, mas quando ficamos exageradamente focados nisso, aí podemos ter o sintoma de algo maior. Essa discussão de usos e costumes ganhou força no mês passado. O assunto do uso do cinema para fins evangelísticos veio das redes sociais para muitas igrejas. E tive o privilégio de participar de uma espécie de mesa redonda onde vários grandes pensadores da igreja no nosso território deliberavam sobre este tema.
Daquele brainstorming, dois comentários me chamaram a atenção. O primeiro, sobre a relevância que a presença da igreja no mundo precisa ter. Na lição da Escola Sabatina deste trimestre, estamos estudando sobre essa grande necessidade da contextualização da mensagem. O mundo precisa entender, em sua própria “língua”, o que estamos pregando. E o outro comentário foi sobre a identidade singular que a igreja precisa manter no contexto em que ela está inserida. Somos um movimento de missão que nasceu de uma profecia, tem a tríplice mensagem angélica a proclamar de forma singular e, assim, agrega crenças distintivas que somam uma plenitude da sistematização de tudo aquilo que já conseguimos compreender da Revelação.
Relevância e identidade. Termos que parecem, em primeira mão, ser paradoxais. Porque temos uma identidade pela qual lutamos por sua preservação como igreja. Então, quando zelamos tanto dessa identidade podemos correr o risco de ir para o extremismo, onde a identidade, tão importante como um fim em si mesma, nos faz alienar da sociedade, perder a relevância. Sem relevância, para quê identidade? Por outro lado, temos o perigo de então abrir mão deste radicalismo de identidade para nos tornarmos relevantes, chegando a nos alinharmos tanto com a linguagem do público-alvo a ponto de perdermos a identidade. E sem identidade não haverá mais relevância. É uma linha tênue.
O espectro onde buscar o equilíbrio de não ter exagerada identidade a ponto de perder a relevância e perder a importância da própria identidade, e de não ter tanta relevância a ponto de perder a identidade e anular a própria relevância é longo. Mas não existe antagonismo nisso. Existe a necessidade de um equilíbrio que não seja sincrético. Sim, é uma tarefa difícil! É como pisar num pântano minado por baixo e embaçado por cima. Como encontrar segurança?
O motivo por trás da busca determinará o extremismo ou o bom senso. O que origina a busca pela relevância? Quais são as razões do zelo pela identidade? Não é suficiente fazer o certo. É preciso ter a motivação correta. É difícil classificar os tantos motivos errados, mas a origem correta é fácil de ser vista. Você precisa ler Mateus 16:13-28: uma conversa de Jesus com os discípulos sobre a identidade e a relevância do Mestre, da Igreja e de Sua missão. Na primeira parte, Pedro agiu como um homem muito à frente de seu próprio tempo com um insight, se não louco, sobrenatural. Ele reconheceu e declarou que Jesus era o Messias! Pense em tudo o que isso significava! Mesmo assim, tal zelo foi uma bênção, pois ele fora motivado pelo Espírito Santo. Logo em seguida, o mesmo discípulo faz outra inserção, porém agora desastrosa. Desta vez, a origem da ação humana deixara de ser divina.
Não muito tempo depois, quando chegou a hora de alavancar a missão, o santo discurso dos discípulos é traduzido para as línguas supostamente pagãs (Atos 2). O próprio Pedro se vê obrigado a quebrar as regras religiosas em nome da pregação (Atos 10 e 11). E por que tudo aquilo não caiu no extremismo desastroso? Quem sabe como alcançar a relevância sem perder a identidade é o Espírito Santo. Note que foi Ele quem fez tanto a condução à casa de Cornélio quanto a tradução idiomática.
A língua é um fator cultural que, no mundo antigo, poderia chegar a ser considerado santo ou profano. Entre os judeus, o zelo pelo hebraico canônico era muito grande. Mesmo os trechos vétero-testamentários que foram escritos em aramaico ainda tinham sido dados numa língua “do povo de Deus”. Mas quando o cristianismo começou, o idioma internacional era o grego. E os santos homens cometeram a audácia de redigir as Escrituras nesta língua que não seria sagrada? Espere! Na Revelação, a inspiração é dada pelo Espírito Santo (2Pedro 1:21). Ele foi o autor que escolheu ter agora um cânon mais relevante.
É daí que vem a única segurança que podemos ter. A maioria dos religiosos prefere polarizar-se porque o malabarismo do equilíbrio é temeroso. Na corda bamba, precisamos que Alguém nos dê a mão. O zelo pela identidade é tão necessário ao testemunho pessoal e à igreja quanto a relevância da contextualização missional. E no risco da busca por esse equilíbrio, temos que abrir mão da nossa força e deixar que o Espírito Santo guie. Ou seja, a nossa principal preocupação deve ser a busca intensa pelo reavivamento. Quando chegarmos a esta plenitude, estaremos curados das discussões que forem inúteis. O que antes era importante, teremos considerado sem valor “por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus” (Filipenses 3:6-15). Porque a reforma em, por exemplo, censurar ou permitir o uso do cinema visando o testemunho do evangelho terá sido dada pelo Espírito Santo, o ponto final.
Um abraço,
Pr. Valdeci Jr.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Resolvi tirar a postagem anterior do ar não porque eu pense que tenha dito ou feito alguma coisa errada, nem porque alguém tenha sequer sugerido a mim para retirá-la. Retirei simplesmente porque as pessoas estão aproveitando tais postagens pra fazer tempestade em copo dágua, e como não quero propiciar a polêmica, “abafei” o assunto no meu espaço por um tempo. Depois posso voltar a liberá-la. Abs.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Eu Acredito!

Muitos me perguntaram se, ao compartilhar o vídeo abaixo em meu Face, eu não estaria entrando em contradição com os usos e costumes da nossa igreja.

video



Eu até agradeço pela preocupação dos amigos internautas, mas eu creio que essa seja uma preocupação desnecessária, porque A fala do Leo não fere em nada as nossas crenças.

Veja a enorme diferença da edição 2005 para a a edição 2010 do Manual da igreja. O primeiro, em dois lugares, recomendava a censura da ida ao cinema. No segundo, nem existe a palavra "cinema".

O documento votado pela DSA "Estilo de Vida e Conduta Cristã" faz uma recomendação de que o cinema seria inapropriado "em sua programação habitual", assim como os estádios e teatros. 

Analisemos a diferença das programações habituais para uma proposta missional intencional.

Nós achamos apropriado ir ao Maracanã assistir Atlético Paranaense e Flamengo na final da copa do Brasil? Não. Nós achamos apropriado alugar o Maracanã para enchê-lo de gente pra ouvir o Bullón? Sim. Nós achamos apropriado ir ao Teatro Gazeta assistir "Intimidade Indecente" de "Leilah Assumpção"? Não. Mas achamos apropriado alugá-lo para gravar o "Novo Tempo In Concert". Da mesma forma, o uso das casas de Cinema. Não achamos que seria apropriado ir assistir a “Garotas Selvagens” no cinema. Mas creio que alugaríamos, sem problema algum, um cinema para rodar “A  Última Batalha”.

Nisto vem a aplicação prática da Lição da Escola Sabatina deste Trimestre, numa profunda prática de Missão Urbana.

Porque, embora seja livre de todos, fiz-me escravo de todos, para ganhar o maior número possível de pessoas.
Tornei-me judeu para os judeus, a fim de ganhar os judeus. Para os que estão debaixo da lei, tornei-me como se estivesse sujeito à lei, ( embora eu mesmo não esteja debaixo da lei ), a fim de ganhar os que estão debaixo da lei.
Para os que estão sem lei, tornei-me como sem lei ( embora não esteja livre da lei de Deus, mas sim sob a lei de Cristo ), a fim de ganhar os que não têm a lei.
Para com os fracos tornei-me fraco, para ganhar os fracos. Tornei-me tudo para com todos, para de alguma forma salvar alguns.
Faço tudo isso por causa do evangelho, para ser co-participante dele.

1 Coríntios 9:19-23

Eu Creio na Cruz de Cristo, e quero exaltar o Sacrifício do Meu Salvador Por Mim.

Divulguemos e promovamos!

Um abraço,
Pr. Valdeci Jr.

sábado, 12 de setembro de 2015

Amor Personalizado

Temos a tendência de imaginar que sucesso o evangelístico seja algo relacionado a grandes auditórios lotados com decisões em massa. Parece-nos até que os contatos pessoais e os trabalhos em grupos menores são degraus pelos quais aspirantes e iniciantes no ministério passam para atingirem o auge de estrelas ministeriais. É bom olharmos para o método evangelístico de Jesus para, dele, tirarmos o exemplo das maneiras pelas quais Deus quer que sejamos salvos e que participemos com Ele do processo da redenção.

Cristo nunca pregou a multidões! Como assim? Parece forte e contrária às Escrituras, esta expressão, mas ela é real. No olhar e na expressão de linguagem humana Ele pode ser descrito sim como um pregador que falava para as multidões. Mas eu penso que pela ótica divina, nunca. As multidões iam a Jesus e o comprimiam. Ele andava com elas. Mas, ao pregar, falava como se fosse a cada um dos que estavam ali presentes, em modo personalizado.

Vemos isto quando, em meio a uma multidão, o Mestre notou o alienado Zaquel. Aquele pregador não deixa ninguém de fora. Ele busca os alheios. O mesmo acontece, figuradamente, na história do filho pródigo, quando o pai, apesar de ter tantos consigo, dá atenção ao único que volta. Da mesma forma, a única ovelha que se perde é tão importante quanto as outras, assim como a dracma perdida é
procurada como se fosse única. A mulher que sofria de hemorragia é o exemplo mais forte de que, pra Jesus, ninguém se perdia na multidão, mas, pelo contrário, para Ele era como se cada um ali estivesse sozinho em Sua presença.

Ele, em Sua prática ministerial, demonstrou-nos que se pensarmos que nossas deficiências nos tornam diferentes dos demais, não importa, pois Ele não salva multidões; salva indivíduos. E também nos dá o exemplo de que nossa pregação não deve ser empurrada como uma enxurrada que, “à rodo”, atinja a todos. Não. Embora procuremos pregar massivamente, precisamos pensar que a composição da massa é de indivíduos únicos. E a menos que a mensagem e o tratamento cheguem de forma “VIP” a cada pessoa, nunca atingiremos o objetivo da pregação.

O amor tem que ser personalizado.

Com carinho,


Pr. Valdeci Júnior

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

O Líder do Amor

Deus é o mesmo Deus para todas as pessoas, em todas as épocas e lugares. Entretanto, individualmente e também como grupo, são os seres humanos que decidem viver isoladamente, como se não necessitassem dEle. Em Seu amor, Deus respeita esse direito de escolha, ainda que errôneo. Mas este mesmo amor estende-se lá ao longe onde o desviado está, a fim de provar-lhe o que há de melhor e dar-lhe oportunidades de escolhas mais elevadas.

Quando Deus opera assim em favor de um povo, Ele usa instrumentos também humanos para tanto. São homens e mulheres que, por intermédio deles, o amor convidativo, benévolo e divino se revela. Ao estudarmos as histórias de José, Jonas, Ester e Rute, não podemos perceber o amor de Deus como um cuidado prestado somente às suas próprias vidas em exclusividade, outrossim um plano de assistência coletiva para necessidades às quais eles e elas foram utilmente usados para supri-las, a saber, no plano da redenção.

Deus usa-os para mostrar Seu amor em salvar nações. Eles são exemplos do quanto a visão de Deus é diferente do olhar humano, principalmente na atribuição de valores. Para Deus, não importa a raça, pois se assim o fosse, não confiaria em Rute para, destacadamente, fazer parte da genealogia de Jesus, sendo ela moabita. E ainda que fosse uma israelita, estaria em evidente exceção numa lista genealógica que tem por praxe apresentar somente homens. Caso semelhante a este é o de Ester que sendo mulher foi a quem Deus usou para livrar o povo judeu de uma sangrenta execução que seria imposta por seus opressores.

As barreiras de status são nitidamente quebradas ao percebermos o que José era e no que ele se tornou para dar sua contribuição na história do povo da aliança. Sua importância governamental usada para tanto faz um nítido contraste com a humildade com que Jonas, sem querer, entrou em Nínive e proclamou tão poderosa mensagem que salvou a milhares de um povo não nomeado como eleito, mas inimigo dos eleitos.

Pense bem. Se você fosse um líder e pudesse tomar decisões no lugar de Deus, faria tais delegações? Eu também não. Porque somos humanos e temos uma ótica muito ofuscada para entendermos as maneiras pelas quais Deus pode revelar Seu amor. É por isto que não explicamos, mas sim aceitamos. É uma questão de fé, pois até para amar é preciso crer nAquele que lidera segundo os critérios da graça e do amor.

Que Ele lhe abençoe ricamente,

Pr. Valdeci Júnior

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Em Administração, Uma Lei. De Deus, Um Princípio.

Sou administrador, também, além de pastor. E ao administrar, gosto de me esforçar na aventura de delegar aos meus liderados, tudo o que for possível.  Para que eu me acomode? Não! Delegar dá muito trabalho. Desde muito cedo, a vida me colocou como líder. A comunidade da qual participei em minha pré-adolescência carecia de ajuda, e meus pais me ensinaram a não me acomodar. Eles davam o exemplo. Pelas crises financeiras que o país atravessava, eles mesmos se viram obrigados a serem autônomos. E o autônomo tem que liderar. Ainda menor, assumi a direção de um clube de Desbravadores. E, das tantas coisas que já liderei, porque destaco os Desbravadores?  É porque é a melhor escola de liderança que já conheci em toda a minha vida. Só quem foi desbravador na idade certa, fazendo classe por classe, consegue entender plenamente isso.

Mas qualquer um é capaz de entender uma lei da administração. Foi no começo da década de 90, mas lembro-me como se fosse hoje. Estávamos em um acampamento em Goiânia, num (dos tantos) curso de liderança, e o instrutor (Acílio Alves, um dos maiores administradores que temos) repetia: "Líder não é o que faz; líder é o que faz fazerem". Aquilo ficou gravado para sempre na minha mente. É a tecla na qual Russell Burrill insiste. Mas Burrill coloca delegar faz medo. A maioria dos líderes têm medo de delegar. E mesmo nós que confiamos as tarefas aos outros, estamos sempre com um friozinho na barriga.

De acordo com Ellen White,

“...o pastor ocupa posição idêntica à do mestre de um grupo de operários, ou de um capitão de navio. Deles se espera que vejam que os homens sobre quem se acham colocados façam a obra que lhes é designada, pronta e corretamente, e só em caso de emergência precisam executar os detalhes”.

Ela ilustra isso com a seguinte história:

“O proprietário de um grande moinho encontrou uma vez seu superintendente a fazer qualquer simples reparo numa roda, ao passo que para ali, parados a olhar ociosamente, achavam-se meia dúzia de operários desse ramo. Havendo-se informado do fato, a fim de estar certo de que não faria injustiça, chamou o mestre ao seu escritório e entregou-lhe sua demissão, pagando-lhe integralmente. Surpreendido, o homem pediu explicação. Esta foi dada nas seguintes palavras: Empreguei-o para manter seis homens ocupados. Achei os seis ociosos, e o senhor fazendo o trabalho de um apenas. O seu trabalho poderia ter sido feito por qualquer dos seis. Não posso pagar o ordenado de sete, para o senhor ensinar os seis a serem vadios” (Obreiros Evangélicos, 197).

Ontem mesmo eu estava sentado em um parque ouvindo dois amigos que, sentados próximos a mim, conversavam sobre o trabalho de um deles com carretos rodoviários. O outro lhe perguntou: “Mas e aí, você tem dirigido muito pelas estradas? Você gosta?”. E o outro lhe respondeu: “Eu gosto, mas infelizmente não posso fazer isso”. Assustado, o outro perguntou: “Mas por quê? Você é o chefe!”. E ele respondeu: “Exatamente por isso. Se eu ficar no escritório, consigo ver  todos os motoristas, cada um no seu volante, e assim consigo administrá-los. Se eu ficar no volante, só conseguirei ver a minha cabine. Não verei os demais. Ninguém olhará por eles, e daí a casa cai”. Uau! Um homem simples, pelo jeito quase sem estudos. Mas, pelo menos nisso, um grande administrador.

Nós administradores somos tentados a não confiar em nossos liderados. Muitas vezes (e muitas mesmo) as tarefas que confiamos a alguém poderíamos nós mesmos fazê-las com muito melhor performance. Isso dói. Mas é necessário, pois eu só estaria fazendo bem aquela tarefa, e deixando de cuidar de todas as outras. Outras vezes é o contrário. Eu preciso confiar a outro a execução exatamente porque ele é muito melhor do que eu naquilo. Mas preciso acompanhar. O líder precisa estar acima dos seus liderados não para ser melhor do que eles, mas para que esteja em uma posição tal que lhe favoreça enxergá-los todos.

E ainda assim, haverá coisas que ficarão fora do alcance das vistas do líder. Isso acontece quando o quadro é complexo o suficiente para ter muitos níveis de liderança, no qual muitos dos liderados são também líderes. Nesse caso, para não se perder na administração, o líder maior precisa sair da neurótica ilusão de que ele poderá liderar diretamente a todos. Os que estarão lá adiante, nos níveis mais distantes, serão liderados por ele apenas indiretamente, e sim por seus liderados mais diretamente. E o líder maior poderá ficar sem conseguir enxergar de perto os seus liderados (indiretos)? Sim, desde que ele não deixe de estar vendo de perto, mentoreando e liderando diretamente, os seus liderados diretos, que estão no próximo nível ligado a ele.

Administrar requer confiança. Confiança no próprio taco, e confiança nos demais. Se você é inseguro, não conseguirá liderar. Mas nunca poderá ser tão auto suficiente a ponto de achar que os líderes que você lidera não sejam tão capazes quanto, cada um em sua esfera de influência. Quem se preocupa com tudo e com todos os detalhes não tem capacidade de liderança. Nenhum ser humano é onisciente, onipresente e onipotente. Somos interdependentes. E isso é bíblico. Deus nos fez assim. Ele nos confiou esse planeta inteiro para cuidarmos, mas não a um só. Ninguém é uma ilha.

E na minha área de administração, já vi muitos assumirem coisas de sucesso e irem pro buraco simplesmente por quererem resolver tudo sozinhos. Uns por serem tão seguros ao ponto de um extremismo que os isola de poder contar com os demais, vindo então a eclodirem sobre si mesmos. Outros por serem tão inseguros a ponto de achar que não poderão contar com ninguém, vindo então a fazer, sozinhos, somente uma parte, e deixar todas as demais partes ruírem-se. Isso é pecar contra 1Coríntios 12, por não compreender e colocar em prática o princípio do sacerdócio de todos os crentes de 1Pedro 2:5-9 e de Romanos 12:3-8.

Princípio este que veio desde o primeiro autor da Bíblia. O Senhor revelou uma lei da administração e da liderança para Moisés através de Jetro, seu sogro. Para Jetro, Moisés deveria compartilhar poder, entregando-o ao povo. A diluição do poder ocorreria ao se delegar responsabilidades para outros líderes. Mas fortaleceria o próprio poder. Incrível! E cada um desses líderes ficaria responsável, no máximo, por dez pessoas ou famílias. Moisés aceitou o conselho do seu sogro, pois já não aguentava mais o estresse e o excesso de trabalho. E dali em diante tudo ficou mais administrável e melhor administrado. Leia Êxodo 18! O eco que retumba aos nossos ouvidos é do grito de Jetro no ouvido do genro dele: “Moisés, você não está no chão da fábrica como responsável por apenas um pequeno detalhe! Você é líder! E líder não é o que faz; líder é o que faz fazerem. Delegue!”. Em administração, isso é uma lei! No reino de Deus, um princípio eterno!

Apesar de que isso não seja natural em nós, Deus tem trabalhado isso em mim. Quem é gente que faz tem uma tendência muito grande de achar mais fácil ir por si mesmo e colocar a mão na massa. Parece ser melhor fazer assim. Mas oportunizar o desenvolvimento dos outros na abertura da participação é colocar o coração e o corpo inteiro na massa. Hoje, décadas depois, graças a Deus, já tenho uma tendência praticamente natural de, em quase todos os lugares que chego, em praticamente qualquer situação que me venha às mãos, ter o instinto automático de me comportar assim: “tudo o que eu puder não fazer, mas puder colocar outro pra fazer, vou deixar de fazer pra colocar outro pra fazer”. Nisto, não estarei descumprindo Eclesiastes 9:10, pois estarei fazendo: ou outro fazer. E todos estaremos fazendo.

Deus pode lhe ajudar nisto também. Delegue, e assim você estará crescendo em liderança, administrando de alguma forma, abençoando aos demais aos quais estará concedendo oportunidades, ministrando, e perpetuando um dos maiores princípios do Reino dos Céus!

Que Deus lhe abençoe!

Pr. Valdeci Jr.



quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Crise: Correr Pra Onde?

O Brasil está em crise financeira, social, política ou de alguma outra natureza? Seja que classificação for, uma pergunta que creio ser relevante é: “Em face da presente crise, para onde migraremos?” Na crise financeira mundial que se desencadeou a partir da crise imobiliária dos Estados Unidos, em 2008, em entrevista, o presidente brasileiro de então falou para o mundo que os países ricos deveriam cuidar em resolver o problema dos países pobres, ajudando-os, caso contrário, o mundo sofreria uma crise de migração dos pobres para os lugares ricos, o que daria uma quebradeira geral maior ainda.


Pelo menos, numa coisa ele estava certo: muitas vezes, crise gera migração. No tempo de Jacó, a maior potência política do planeta era o Egito. E quando a crise financeira mundial chegou, foi aquele país que era rico que acabou sendo a solução temporária para resolver o problema dos pobres. Mas, posteriormente, a densidade demográfica exagerada pela presença dos imigrantes trouxe uma situação social insustentável. Dependendo da forma, processos migratórios intencionados a resolver crises presentes podem gerar crises futuras ainda maiores.
Albert Einstein argumenta que a crise é a “melhor bênção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos.” (http://adv.st/1Ke8GwL). Ele lembra que “é na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias”. E segue dissertando sobre a oportunidade que a crise pode ser para as inovações, a criatividade, as superações e, por fim, a vitória. É claro que na crise também existem as possibilidades da desistência, do conformismo, da entrega, da fuga, da busca por soluções fáceis e erradas, enfim, do fracasso e da falência.
Mesmo não se mudando para outro país, se a crise bater à sua porta, você terminará tendo que mudar de hábito. Quando a recessão econômica chega, ninguém fica como está. No fato econômico, a alteração é quanto à retenção dos gastos e a busca por alternativas de ganho. Caso contrário, a mudança será para o endividamento e suas consequências. Passamos então a nos comportar e viver de forma diferente. Paradoxal é perceber como essa mudança acontece nas finanças de algumas igrejas onde, naturalmente, enquanto os membros encontram o desemprego e a menor renda, os dízimos e as ofertas aumentam. O que acontece?
Depende da atitude de cada cristão. Você pode escolher se tornar revoltado com Deus ou dependente dEle. Recentemente, minha esposa e eu passamos, cada um com seu caso, por grandes crises de saúde. Recuperamo-nos, mas para que não venha a reincidência, nos obrigamos a mudar o estilo de vida. E assim, somos abençoados em viver de forma mais saudável e ter uma expectativa de vida mais promissora. Pense bem: você não tem a possibilidade de mudar a cosmovisão dos eleitores brasileiros, o comportamento dos políticos, os vieses constitucionais ou as manobras financeiras do país, mas pode orar por isso tudo. A crise nos esvazia, fazendo-nos depender mais de Deus. Nela, podemos migrar para o reavivamento (Romanos 5:3-5), pois quando não nos restar mais nada, teremos somente Deus. Afinal, quando tudo o que você tiver for Deus, não terá chegado lá?

Um abraço,
Pr. Valdeci Júnior

Fonte: http://noticias.adventistas.org/pt/coluna/valdeci-junior/crise-correr-pra-onde/